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M2 Regime Fluvial e Morfodinâmica do Canal

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O regime fluvial descreve o padrão típico de variação sazonal e interanual na vazão de um rio, um padrão determinado pelo clima de sua bacia hidrográfica — precipitação e derretimento da neve —, pela geologia da bacia e por sua cobertura vegetal.

A morfodinâmica de canais estuda como o próprio canal do rio — sua forma, tamanho, sinuosidade e declive — se ajusta ao regime de fluxo e sedimentos que passa constantemente por ele. O canal evolui até atingir um estado de equilíbrio dinâmico, no qual o fluxo dominante, aquele que preenche o canal até o nível de suas margens e que normalmente ocorre uma vez a cada 18 meses, torna-se o principal fator que molda o canal.

A migração lateral de meandros é o processo morfodinâmico mais visível de todos: esses meandros normalmente migram entre um e dez metros por ano em rios de médio porte, embora possam se deslocar entre cinquenta e cem metros por ano em eventos excepcionais. O mecanismo por trás dessa migração é o excesso de velocidade que a água atinge na parte externa de cada curva, onde erode a margem, em comparação com o déficit de velocidade na parte interna da mesma curva, onde o sedimento é depositado.

A conectividade sedimentar que liga a bacia, o rio e a costa determina quanto do sedimento erodido das encostas realmente chega à costa. Em grandes bacias, apenas entre dez e vinte por cento desse sedimento consegue atingir a costa, porque grande parte do restante fica armazenada nas planícies de inundação que o rio atravessa.

Avulsões são mudanças abruptas no curso do canal e geralmente ocorrem quando a inclinação de um canal alternativo se torna cerca de dez vezes mais íngreme do que a inclinação do canal atual. Elas são comuns nas planícies de inundação de rios entrelaçados com grande quantidade de sedimentos. O comportamento esperado de todo esse sistema fluvial envolve ajustes morfológicos constantes em resposta às mudanças: um aumento no fornecimento de sedimentos alarga e torna o canal mais raso, enquanto a construção de uma barragem estreita o mesmo canal, eliminando o fluxo dominante que antes mantinha sua forma. Assim, desde o regime fluvial descrito no início deste documento até o ajuste morfológico em sua conclusão, abrangendo fluxo dominante, migração de meandros, conectividade sedimentar e avulsões, o regime fluvial e a morfodinâmica do canal significam que a forma de um rio nunca é verdadeiramente fixa, mas sim um equilíbrio em constante mudança entre o fluxo e o sedimento que ele transporta.

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