E2 Dinâmica Térmica Interna
Tópico
A Terra perde calor do seu interior principalmente por convecção no manto e por condução através da litosfera acima dele. Essa perda de calor provém de duas fontes distintas: o calor primordial armazenado desde a acreção e diferenciação planetária, que se dissipa lentamente ao longo das eras geológicas, e o calor radiogênico contínuo produzido pelo decaimento do urânio-238, urânio-235, tório-232 e potássio-40.
O manto terrestre apresenta forte convecção porque o parâmetro que mede a facilidade com que um fluido inicia a convecção atinge um valor entre dez milhões e um bilhão no manto, bem acima do limiar crítico de apenas mil que um fluido precisa ultrapassar para começar a convecção. O manto apresenta essa forte convecção apesar de, em curtos períodos de tempo, comportar-se como um sólido rígido.
A eficiência desse transporte convectivo em comparação com a simples condução pode ser quantificada com outro parâmetro, que no manto terrestre assume valores entre dez e quarenta vezes maiores: isso significa que, se o manto não convectasse e o calor fosse transportado apenas por condução, a temperatura do interior da Terra seria muito mais alta do que é hoje.
O fluxo médio de calor que atinge a superfície da Terra é de cerca de oitenta miliwatts por metro quadrado, mas esse fluxo de calor não é uniforme: chega a trezentos miliwatts por metro quadrado nas dorsais meso-oceânicas, onde o manto se eleva e se aproxima muito da superfície, e cai para apenas trinta miliwatts por metro quadrado sobre os crátons mais antigos, onde a crosta continental isola o manto abaixo dela há bilhões de anos.
A temperatura na fronteira entre o manto e o núcleo, entre três mil e quinhentos e quatro mil kelvin, é o que mantém o núcleo externo líquido e alimenta o geodínamo que gera o campo magnético da Terra. A lenta evolução dessa mesma temperatura, por sua vez, determina a velocidade com que o núcleo interno continua a se solidificar e por quanto tempo o campo magnético que protege o planeta continuará a existir, fechando assim a ligação entre a perda de calor com a qual esta descrição começou e o destino a longo prazo do próprio campo magnético da Terra.
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