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D6 Paleoclima e Reconstrução

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Os métodos de paleoclima e reconstrução buscam estender o registro climático da criosfera muito além do período em que os instrumentos a mediram diretamente, acessando arquivos naturais que preservaram informações sobre as condições climáticas passadas. Essa extensão do registro climático, alcançada pelos métodos de paleoclima e reconstrução, é essencial para contextualizar as mudanças que observamos hoje, para calibrar modelos climáticos com dados independentes e para compreender a variabilidade natural do sistema climático em escalas que variam de séculos a milhões de anos.

Sedimentos proglaciais e varvas — camadas laminadas de sedimentos depositadas ano após ano no fundo de lagos glaciais — registram a variabilidade anual na descarga de água glacial, com uma resolução de um ano por camada de sedimento depositado.

A geomorfologia glacial — ou seja, as morenas deixadas por uma geleira em recuo, as estrias que ela esculpe na rocha matriz e os circos glaciais que ela escava na cabeceira dos vales que outrora ocupou — documenta a extensão máxima da atividade glacial durante o Último Máximo Glacial e o subsequente recuo dessas mesmas geleiras. A datação cosmogênica mede a quantidade de berílio-10, alumínio-26 ou cloro-36 que se acumulou na superfície de uma rocha desde que uma geleira em recuo expôs essa superfície à radiação cósmica. Esse acúmulo de isótopos cosmogênicos permite que a datação cosmogênica atribua diretamente uma idade ao momento do recuo glacial, com uma precisão entre cinco e dez por cento.

Um espeleotema, seja uma estalactite ou uma estalagmite, que cresce dentro de uma caverna em uma região periglacial, registra tanto a temperatura quanto a hidrologia da época de sua formação, por meio da proporção de isótopos de oxigênio e carbono incorporados durante seu crescimento. A datação urânio-tório atribui a cada camada desse mesmo espeleotema uma idade altamente precisa.

A datação urânio-tório atribui a cada camada desse mesmo espeleotema uma idade altamente precisa. O comportamento esperado de todos esses métodos de paleoclima e reconstrução, combinados, é a coerência multi-proxy: sedimentos proglaciais, geomorfologia glacial, datação cosmogênica e espeleotemas, sendo arquivos naturais completamente independentes, devem convergir para a mesma história climática regional, confirmando assim a capacidade desses métodos de paleoclima e reconstrução de estender o registro climático da criosfera muito além do período instrumental com o qual essa descrição começou.

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