A2 Vácuo de liderança
Tópico
O vácuo de liderança é a segunda anomalia nesta linha de raciocínio e descreve o que acontece depois que um nó de alta centralidade deixa de exercer sua influência: não a concentração de influência em si, que é o que o culto à personalidade já descreve, mas a ausência de alguém capaz de ocupar o seu lugar quando essa figura central cai.
A variável que desencadeia essa anomalia é a queda repentina de um nó de alta centralidade sem um sucessor de centralidade comparável: enquanto a liderança é distribuída entre vários nós com centralidade mais uniforme, a queda de qualquer um deles deixa os outros em posição de sustentar a influência coletiva; quando a influência estava concentrada em um único nó e esse nó cai repentinamente, sem nenhum sucessor capaz de herdar centralidade comparável, o vácuo resultante não é preenchido imediatamente.
O culto à personalidade é precisamente o terreno que torna esse vácuo mais severo quando ele finalmente ocorre: a lealdade que se tornou independente do desempenho real e atrelada à pessoa do líder não tem, por definição, nenhum desempenho objetivo alternativo sobre o qual reconstruir a lealdade a um sucessor. Assim, quanto mais profundo era o culto à personalidade antes da queda, mais profundo tende a ser o vácuo de liderança depois. Essa sequência — uma concentração de influência que cresce precisamente porque ninguém mais acumula centralidade suficiente para sucedê-la, seguida por uma queda que deixa um vácuo proporcional a essa mesma concentração — é a razão pela qual o culto à personalidade e o vácuo de liderança, embora sejam anomalias distintas que ocorrem em momentos diferentes, tendem a aparecer como duas fases sucessivas do mesmo processo.
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