A2 Falta de liquidez sistémica e contágio
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A iliquidez sistêmica e o contágio abrangem o que antes era tratado como um bloco separado das finanças sistêmicas e descrevem um risco distinto do de bolhas e crises, embora compartilhem muitas semelhanças: enquanto bolhas e crises são medidas pelos preços dos ativos em relação aos seus fundamentos, a iliquidez sistêmica é medida pela alavancagem agregada de todo o sistema financeiro. A variável que desencadeia essa anomalia é essa alavancagem agregada ultrapassar o limiar de fragilidade, o ponto em que a estrutura financeira não consegue mais absorver uma queda de preços sem que a falta de liquidez se propague de uma entidade para outra.
Os agentes de Propriedade + Investimento — empresas, investidores, famílias — são modelados como nós em uma rede, não como átomos isolados, e é justamente essa representação em rede que explica por que a iliquidez sistêmica não permanece contida no nó onde se inicia: quando a alavancagem agregada ultrapassa o limiar de fragilidade, a venda forçada de ativos por um nó superendividado pressiona os preços para baixo no restante da rede, o que, por sua vez, força outros nós alavancados a venderem, e o contágio se espalha pelas mesmas conexões que, em circunstâncias normais, permitem a livre circulação de capital.
Essa anomalia e a bolha e o colapso frequentemente parecem estar ligados, embora não sejam a mesma coisa: o crescimento constante da alavancagem agregada é frequentemente o que financia o desvio extremo de preços que caracteriza a bolha e o colapso, de modo que, quando esse desvio se reverte abruptamente, encontra um sistema financeiro já próximo do seu limiar de fragilidade. O Estado, como modificador transversal que não compete em nenhuma vertente, mas participa como ator direto no setor imobiliário e de investimentos por meio do banco central, é quem normalmente intervém para conter o contágio quando a iliquidez sistêmica se materializa, embora essa intervenção não elimine a alavancagem agregada que a originou, apenas interrompa sua propagação pela rede.
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