D2 Expansão do Universo e a Escada da Distância Cósmica
Tópico
O elemento central deste modelo é o Telescópio Espacial Hubble, que, com um espelho de quase dois metros e meio de diâmetro e completamente livre de turbulência atmosférica, revolucionou a medição local da taxa de expansão do universo.
As câmeras do telescópio identificam variáveis Cefeidas individuais em galáxias relativamente próximas, cujo período de pulsação está diretamente correlacionado com sua luminosidade intrínseca, e também medem supernovas termonucleares usadas como velas padrão.
A escada de distâncias conecta essas etapas uma após a outra: primeiro a paralaxe trigonométrica, depois as variáveis Cefeidas, em seguida as mesmas supernovas termonucleares e, finalmente, o próprio fluxo do Hubble em grande escala, calibrando cada etapa com a anterior.
O aspecto mais notável deste telescópio é a estabilidade de sua função de espalhamento pontual no espaço: como não é afetada pela turbulência atmosférica, essa função permanece estável e previsível, permitindo que variáveis Cefeidas individuais sejam rastreadas a distâncias muito maiores do que seria possível observar da Terra.
O valor da taxa de expansão resultante desta medição local é superior ao valor inferido da radiação cósmica de fundo em micro-ondas, a mesma tensão de Hubble descrita entre as anomalias do Modelo Padrão. Essa discrepância motivou o uso da maior sensibilidade ao infravermelho de um telescópio espacial mais recente para reverificar essas mesmas variáveis Cefeidas. Assim, desde o telescópio espacial com o qual este documento começa até a reverificação com a qual ele termina, abrangendo variáveis Cefeidas, supernovas termonucleares e o fluxo de Hubble, a expansão do universo significa que o mesmo instrumento, passo a passo em sua própria escala de distâncias, acaba produzindo o mesmo número que hoje divide o universo primordial do universo tardio.
ID:4086
