D11 Astronomia Multimensageira
Tópico
A astronomia multimensageira combina mensageiros de naturezas completamente diferentes, todos originários do mesmo evento cósmico: fótons em todo o espectro eletromagnético, ondas gravitacionais, neutrinos e raios cósmicos. Ela os combina precisamente porque nenhum mensageiro isolado pode contar toda a história desse evento.
A primeira fusão de duas estrelas de nêutrons já detectada foi, na verdade, observada simultaneamente em ondas gravitacionais e em uma breve emissão de raios gama, e essa observação combinada inaugurou a era da astronomia multimensageira.
Os interferômetros que detectam essas ondas gravitacionais medem uma deformação relativa do espaço tão minúscula que registrá-la requer braços com vários quilômetros de comprimento e uma precisão de medição muito menor que o tamanho de um átomo.
Enquanto isso, uma supernova próxima foi detectada pela primeira vez simultaneamente em neutrinos e luz visível, e essa detecção dupla confirmou o modelo de colapso estelar que produziu essa mesma supernova.
Um futuro detector espacial estenderá essa mesma técnica de múltiplos mensageiros a frequências de ondas gravitacionais muito mais baixas — frequências produzidas pela fusão de buracos negros supermassivos — complementando, assim, os observatórios terrestres de neutrinos e raios cósmicos existentes. Dessa forma, desde os mensageiros de diferentes naturezas com os quais este documento começa até o futuro detector espacial com o qual ele termina, incluindo fusões de estrelas de nêutrons, interferômetros com quilômetros de extensão e a supernova detectada em neutrinos e luz, a astronomia de múltiplos mensageiros permite que um único evento cósmico, registrado por diversas testemunhas simultaneamente, revele muito mais do que qualquer uma dessas testemunhas poderia quantificar individualmente.
ID:4939
