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A5 Saturação Persistente e Hidromorfismo

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A saturação persistente ocorre quando o lençol freático permanece muito próximo da superfície do solo por semanas ou até meses. Isso geralmente se deve à recarga lateral, à ressurgência de um aquífero confinado ou à topografia plana, o que torna a drenagem insuficiente para remover a água.

Esse mesmo solo saturado perde sua aeração normal e desenvolve condições anaeróbicas: as bactérias que o habitam primeiro consomem todo o oxigênio dissolvido retido na água, e é essa depleção de oxigênio que as leva a recorrer sucessivamente a nitratos, manganês, ferro e sulfatos como aceptores de elétrons para continuar a respiração, em uma ordem que segue de perto o potencial redox do solo.

Dentro desse mesmo processo anaeróbico, a redução do ferro de sua forma férrica para sua forma ferrosa é o que causa o aparecimento das cores cinza e azuladas características da gleização — o marcador visual pelo qual se reconhece, mesmo anos depois, que um solo estava saturado.

É essa mesma pressão intersticial positiva e persistente, gerada pela saturação, que reduz o fator de segurança das encostas, já descrito como o ponto de ruptura dos deslizamentos de terra. Em solos de textura fina, pode até desencadear a solifluxão, um deslocamento lento da camada superficial saturada encosta abaixo.

O modelo quantitativo que descreve toda a saturação persistente integra a equação de Richards, que rege a dinâmica vertical do lençol freático, com a geoquímica redox do solo, relacionando esse mesmo potencial redox com o teor de oxigênio dissolvido e com o consumo microbiano que o esgota. Assim, desde o lençol freático estagnado próximo à superfície com o qual este documento começa até o lento deslocamento do solo saturado com o qual termina, a saturação persistente faz com que um solo que parece estático externamente esconda, internamente, uma química e uma mecânica que alteram completamente seu comportamento.

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