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A4 Secas Hidrológicas

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A seca hidrológica é a manifestação, nos diversos componentes do ciclo hidrológico, de um déficit de precipitação acumulado ao longo do tempo: afeta a vazão dos rios, os níveis dos aquíferos e o volume das zonas úmidas. É também o elo final de uma cascata que começa na atmosfera e termina no próprio ciclo hidrológico: primeiro manifesta-se como seca meteorológica, depois como seca agrícola e somente por fim como esta seca hidrológica que afeta as reservas hídricas mais profundas do sistema.

Durante essa seca hidrológica, os aquíferos respondem com muito menos inércia do que os rios, e é precisamente a resistência hidráulica oferecida pelo meio poroso desses aquíferos que faz com que sua resposta ao déficit de precipitação seja retardada, às vezes por meses ou anos, em comparação com a resposta muito mais rápida já demonstrada pelos próprios rios.

O balanço de Budyko é o modelo conceitual mais direto utilizado para descrever essa seca hidrológica: relaciona a proporção de água perdida por evapotranspiração com a precipitação, utilizando um índice de aridez específico para cada região. É precisamente esse índice de aridez que determina quanta água da chuva acaba reabastecendo rios e aquíferos em vez de se perder para a atmosfera.

A redução da vazão de base dos rios reflete, superficialmente, o mesmo esvaziamento lento dos aquíferos descrito anteriormente: à medida que o aquífero se esvazia, a vazão que ele fornece ao rio diminui seguindo uma curva de recessão exponencial, que desacelera conforme restam menos reservas para serem drenadas.

A severidade de toda essa seca hidrológica é formalmente caracterizada por um índice de precipitação padronizado, que compara a precipitação acumulada em uma região com sua distribuição histórica e permite que essa comparação seja calculada simultaneamente em várias escalas de tempo: um mês, três meses, seis meses e doze meses. É precisamente essa comparação com os dados históricos de cada região que permite que o mesmo volume de chuva seja classificado como uma seca severa em uma região e como uma estação normal em outra.

Assim, desde o déficit de precipitação que inicia essa cascata até o chamado efeito de memória que a conclui, levando em consideração a inércia do aquífero, o balanço de Budyko e a curva de recessão do fluxo de base, a seca hidrológica significa que a recuperação completa do sistema, uma vez terminada a seca, pode exigir vários anos inteiros de recarga antes que rios, aquíferos e zonas úmidas retornem aos seus níveis normais.

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