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A1 Retiro Acelerado da Geleira

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O recuo glacial acelerado é a resposta dinâmica das geleiras a um balanço de massa persistentemente negativo: a zona de ablação, onde o gelo derrete, excede a zona de acumulação, onde a neve nova se deposita, por períodos prolongados. Essa zona de ablação maior leva a uma redução tanto no volume quanto na área de cada geleira. Além disso, há um desequilíbrio entre as temperaturas atuais e a massa glacial herdada do Pleistoceno e do Holoceno frio. Esse desequilíbrio significa que a maioria das geleiras está fadada a um recuo contínuo, mesmo que o forçamento climático que as afeta se estabilizasse hoje, porque essas geleiras ainda estão ajustando seu volume a condições climáticas mais quentes do que aquelas que experimentaram quando acumularam a maior parte de sua massa atual.

O modelo central para o recuo glacial acelerado é o balanço de massa específico de cada geleira, calculado pela integração, ao longo de todo o ano glaciológico, do fluxo de acumulação de neve na zona de acumulação e do fluxo de ablação por derretimento na zona de ablação. A linha de equilíbrio é a altitude onde esse balanço de massa específico é exatamente zero, nem positivo nem negativo. Acima da linha de equilíbrio, a zona de acumulação domina, e abaixo dela, a zona de ablação domina. Quando o aquecimento empurra essa linha de equilíbrio para altitudes mais elevadas, áreas cada vez maiores da geleira caem abaixo da linha de equilíbrio, na zona de ablação, e a geleira perde mais massa do que consegue repor.

O feedback entre gelo e albedo amplifica todo esse processo dentro da zona de ablação: à medida que a geleira perde sua cobertura de neve, ela expõe gelo ou rocha mais escuros. Essa superfície mais escura diminui o albedo da geleira e aumenta a absorção da radiação solar nessa mesma superfície. Esse aumento na absorção da radiação solar derrete ainda mais gelo dentro da zona de ablação, expondo ainda mais superfície escura e diminuindo ainda mais o albedo da geleira, fechando assim um ciclo de feedback auto-reforçador enquanto a zona de ablação permanecer exposta.

O comportamento esperado do recuo glacial acelerado não é linear, mas a taxa dessa aceleração depende do tamanho da geleira: geleiras pequenas respondem ao mesmo forçamento climático em décadas, enquanto grandes mantos de gelo continentais levam séculos para responder ao mesmo forçamento climático, porque seu volume muito maior lhes confere uma inércia muito maior diante de qualquer mudança no balanço de massa específico.

Dentro desse recuo glacial acelerado, o pico de descarga de água de degelo é um marco crítico para os recursos hídricos que dependem de cada geleira a jusante: enquanto uma geleira ainda tiver volume acumulado suficiente, um recuo glacial acelerado mais intenso libera mais água de degelo a cada ano, e essa descarga de água de degelo continua a aumentar até que a geleira se aproxime do colapso, ponto em que a descarga de água de degelo atinge seu pico antes de começar a declinar irreversivelmente junto com a própria geleira. Modelos que relacionam de forma simplificada o volume de cada geleira à sua área permitem projetar, com relativamente poucos parâmetros, quando cada geleira atingirá a descarga máxima de derretimento e como seu recuo glacial acelerado evoluirá, a mesma resposta dinâmica ao balanço de massa persistentemente negativo com o qual esta descrição começou.

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