Utilizador:

A6 TCE/lesão axonal difusa

Tópico

O tecido nervoso tolera uma certa quantidade de deformação mecânica sem sofrer danos, graças à sua capacidade elástica. Em lesões cerebrais traumáticas com lesão axonal difusa, as forças mecânicas de aceleração-desaceleração deformam o tecido nervoso além dessa capacidade elástica, e é essa deformação mecânica que determina se ocorre ou não lesão axonal. A probabilidade de lesão axonal depende tanto da magnitude quanto da velocidade da deformação mecânica, seguindo um modelo de duas condições: a lesão axonal ocorre somente quando tanto a magnitude quanto a velocidade da deformação mecânica excedem seus respectivos limiares.

Dentro do tecido nervoso, é o axônio que sofre diretamente essa lesão: a deformação mecânica do tecido nervoso ativa canais iônicos mecanossensíveis na membrana do axônio, e a abertura desses canais gera um influxo anormal de cálcio para dentro do axônio, seguindo o mesmo mecanismo de influxo de cálcio descrito para isquemia cerebral. Esse influxo anormal de cálcio ativa um grupo de proteases dependentes de cálcio dentro do axônio, chamadas calpaínas, que degradam o citoesqueleto axonal e bloqueiam o transporte axonal.

Quando o transporte axonal é bloqueado dentro do axônio, as proteínas que normalmente viajam ao longo do axônio param de se mover normalmente e se acumulam no local do bloqueio, formando um acúmulo proteico característico chamado bulbo de retração. Quanto mais tempo persistir o bloqueio do transporte axonal, maior será o acúmulo de proteína que se forma no bulbo de retração do axônio.

Em um nível macroscópico, a lesão axonal difusa sofrida pelo axônio dentro do tecido nervoso contribui para o edema cerebral secundário que se desenvolve no tecido nervoso circundante. Esse edema cerebral secundário aumenta o volume ocupado pelo tecido nervoso dentro do crânio. Como o crânio não pode se expandir para acomodar esse volume extra, o aumento do volume do tecido nervoso eleva a pressão intracraniana, seguindo a mesma relação entre volume e pressão dentro do crânio conhecida como doutrina de Monroe-Kellie.

Esse mesmo mecanismo, pelo qual um aumento de volume dentro de um espaço fixo acaba elevando a pressão que ele contém, descreverá posteriormente como o tecido nervoso se comporta quando um tumor cerebral ocupa espaço dentro do crânio. De forma geral, a deformação mecânica sofrida pelo tecido nervoso durante uma lesão cerebral traumática, por meio de lesão axonal difusa e edema cerebral secundário, resulta em aumento da pressão intracraniana, o que, em última análise, determina a gravidade do dano ao tecido nervoso.

ID:4288

druyd.com - Dr. Willy H. Gerber © 2026