D3 Marcadores cardíacos
Tópico
Os marcadores cardíacos são substâncias medidas no sangue para avaliar principalmente dois processos: dano direto ao músculo cardíaco, medido pelas troponinas e pela fração cardíaca da creatina quinase (CK-MB), e estresse da parede ventricular causado por aumentos na pressão ou no volume, medido pelos peptídeos natriuréticos.
As troponinas cardíacas I e T fazem parte da estrutura das fibras musculares cardíacas e normalmente permanecem dentro dos cardiomiócitos. Quando essas células sofrem necrose irreversível, a troponina é liberada na corrente sanguínea. Técnicas de alta sensibilidade permitem a detecção de concentrações extremamente baixas e utilizam um limite de referência correspondente aproximadamente ao percentil 99 da população saudável. Ultrapassar esse limite indica a presença de dano miocárdico.
Após um infarto do miocárdio, os níveis de troponina exibem um padrão característico. Inicialmente, eles aumentam dentro de uma a três horas devido à liberação da fração presente no citoplasma; posteriormente, continuam a aumentar à medida que a troponina associada à estrutura celular é liberada, atingindo seu pico em aproximadamente 12 a 24 horas. Finalmente, diminui ao longo de vários dias e pode levar de cinco a dez dias para normalizar. Esse rápido aumento inicial permite o uso de protocolos que comparam a concentração na admissão com uma segunda medição uma hora depois. Tanto um valor inicial alto quanto uma mudança significativa durante esse intervalo ajudam a diagnosticar ou descartar rapidamente um infarto do miocárdio.
Os peptídeos natriuréticos respondem a um mecanismo diferente. Eles são sintetizados e liberados ativamente pelos cardiomiócitos quando a tensão da parede ventricular aumenta devido ao aumento da pressão ou do volume de enchimento. Sua concentração tende a aumentar com a gravidade da disfunção ventricular, tornando-os importantes marcadores bioquímicos de insuficiência cardíaca.
Os valores usados para sua interpretação dependem da idade. O texto de referência indica valores aproximados de 450 pg/L para menores de 50 anos, 900 pg/L para pessoas entre 50 e 75 anos e 1.800 pg/L para maiores de 75 anos. Parte dessa diferença está relacionada a alterações na eliminação renal, portanto, a mesma concentração pode ter significados clínicos diferentes dependendo das características do paciente.
Antes da introdução das troponinas, a CK-MB era o principal marcador de lesão cardíaca. Ela é mais específica para o coração do que a creatina quinase total, que também aumenta com lesões no músculo esquelético, mas é menos sensível do que as troponinas de alta sensibilidade para detectar pequenas lesões miocárdicas. No entanto, ela continua útil em situações específicas.
Uma delas é a detecção de um segundo ataque cardíaco quando a troponina permanece elevada devido ao primeiro. Como a CK-MB desaparece do sangue muito mais rapidamente, uma nova elevação pode revelar nova necrose. Ela também pode fornecer informações em cirurgia cardíaca, onde a manipulação direta do coração produz elevações de troponina que dificultam a distinção entre o dano esperado e uma complicação.
O desempenho diagnóstico dos marcadores pode ser avaliado usando curvas que comparam, para diferentes pontos de corte, a proporção de pacientes corretamente identificados como portadores da doença com a proporção de indivíduos saudáveis incorretamente classificados como portadores da doença. A área sob esta curva resume a capacidade discriminativa: um valor máximo representa discriminação perfeita e um valor próximo da metade representa uma classificação semelhante à randomização. De acordo com o texto, a troponina de alta sensibilidade atinge uma área superior a 0,97 para infarto do miocárdio.
Os resultados desses marcadores devem ser interpretados em conjunto com a probabilidade clínica prévia. As razões derivadas de um resultado positivo ou negativo permitem modificar essa probabilidade por meio do raciocínio bayesiano e obter uma probabilidade subsequente de infarto do miocárdio específica para cada paciente.
Em conjunto, as troponinas identificam o dano miocárdico e sua evolução ao longo do tempo, os peptídeos natriuréticos refletem o estresse ventricular e a CK-MB permanece útil em certas situações, como o reinfarto. A combinação desses marcadores, suas alterações ao longo do tempo e a probabilidade clínica prévia permite uma avaliação mais precisa da presença de dano cardíaco agudo, sobrecarga ventricular ou a ausência de ambos.
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