E14 Sistema de controle neuromuscular
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Este módulo é o controlador de todo o sistema de voo: o conjunto de sensores, processadores e atuadores neurológicos que converte as informações sensoriais recebidas pela ave — sua posição, velocidade, orientação e os estímulos visuais que percebe — em sinais musculares que ajustam, em tempo real, a geometria da asa, a força do batimento das asas e a trajetória de voo.
Este controlador do sistema de voo é precisamente o módulo que fecha o ciclo entre observar o estado do sistema de voo em um dado momento e executar a ação corretiva que ajusta esse mesmo estado no momento seguinte: ele observa, corrige e observa o resultado de sua própria correção, repetidamente, durante todo o voo.
A velocidade deste controlador do sistema de voo é o que torna possível o voo das aves mais manobráveis: o sistema nervoso do açor, por exemplo, processa as informações visuais que recebe enquanto persegue uma presa e executa as correções musculares correspondentes com uma latência entre dez e trinta milissegundos.
A latência de reação do sistema nervoso do açor é comparável à dos melhores sistemas de controle fly-by-wire dos caças mais modernos, com a diferença de que o sistema nervoso do açor é implementado em tecido nervoso cuja massa total não chega a dois gramas, muito menos do que qualquer sistema de controle eletrônico equivalente.
A principal diferença entre esse sistema nervoso e um sistema de controle fly-by-wire, no entanto, não reside na velocidade, mas na capacidade de aprendizado: o sistema nervoso da ave pode aprender e adaptar seu próprio modelo do ambiente enquanto voa, algo que os sistemas de controle eletrônico só recentemente começaram a replicar usando redes neurais artificiais.
Essa combinação de velocidade de reação, baixo peso e capacidade de aprendizado é o que torna esse controlador de sistema de voo o componente que possibilita todo o repertório de manobras que uma ave saudável pode executar. E é, pela mesma razão, a parte cuja degradação — por um pesticida, um metal pesado, um patógeno ou uma toxina — é suficiente para introduzir uma maior latência de resposta, um menor ganho corretivo e as oscilações que transformam um pássaro com o mesmo corpo saudável em um pássaro que não consegue mais voar com a mesma precisão.
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