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D9 Telemetria Fisiológica

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Um gravador cardíaco implantável, um dispositivo eletrocardiográfico que pesa entre um e cinco gramas, permite que pesquisadores estimem o gasto metabólico de uma ave durante o voo livre em condições naturais, sem as limitações de um túnel de vento, que exige a medição direta da potência metabólica por meio da respirometria. Ao contrário da respirometria de fluxo aberto, que só pode ser medida enquanto a ave está voando dentro de um túnel de vento, o gravador cardíaco implantável acompanha a ave durante o voo real, em seu ambiente natural.

O princípio físico por trás desse método é um processo de três etapas: a frequência cardíaca da ave é um indicador indireto de seu débito cardíaco, a quantidade de sangue que o coração bombeia por unidade de tempo; esse débito cardíaco, por sua vez, determina a taxa na qual o oxigênio chega ao músculo peitoral; e essa taxa de fornecimento de oxigênio ao músculo peitoral determina, em última análise, a potência metabólica que a ave pode sustentar naquele momento do voo.

A relação entre frequência cardíaca e potência metabólica não é linear e varia de espécie para espécie, portanto, não pode ser assumida antecipadamente. Antes de implantar um monitor de frequência cardíaca em uma ave selvagem, é necessário estabelecer essa relação específica da espécie em um túnel de vento, medindo simultaneamente a frequência cardíaca e a potência metabólica real com respirometria de fluxo aberto.

Uma vez que essa relação é calibrada no túnel de vento, a frequência cardíaca medida em campo permite estimar a potência metabólica da ave com precisão suficiente para estudar as diferentes maneiras pelas quais a ave voa durante um voo real e prolongado — algo que nem a respirometria de fluxo aberto nem qualquer outro método pode fazer fora de um túnel de vento.

Essa mesma frequência cardíaca calibrada também permite que os pesquisadores detectem quando uma ave migratória começou a queimar proteína: quando a ave recorre ao catabolismo proteico porque suas reservas de gordura são insuficientes, a frequência cardíaca aumenta desproporcionalmente à capacidade metabólica que teoricamente teria, porque queimar proteína exige mais esforço do sistema cardiovascular do que queimar gordura para fornecer a mesma quantidade de oxigênio aos músculos peitorais.

O mesmo sinal cardíaco também revela uma perturbação neuromuscular diferente: quando uma neurotoxina altera o controle autonômico que o sistema nervoso exerce sobre o coração, ela modifica a variabilidade do intervalo entre batimentos cardíacos sucessivos, independentemente do esforço que a ave esteja fazendo naquele momento. Essa alteração na variabilidade entre batimentos cardíacos sucessivos é, portanto, um indicador de perturbação neuromuscular que não depende do aumento ou da queda da frequência cardíaca média, mas sim da regularidade ou irregularidade do ritmo cardíaco de um batimento para o outro.

Finalmente, esse mesmo gravador cardíaco implantável conecta o sistema cardiovascular da ave ao limite da potência muscular disponível que ela pode sustentar em pleno voo e à forma como esse limite diminui quando a ave enfrenta um ambiente extremo: a mesma dificuldade circulatória que o calor intenso ou a altitude extrema impõem ao coração para fornecer oxigênio ao músculo peitoral se reflete diretamente na frequência cardíaca medida por esse gravador, fechando assim a ligação entre a estimativa da potência metabólica em campo e o limite fisiológico que a mesma ave pode atingir.

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