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M2 Regimes de hegemonia ideológica

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Os regimes de hegemonia ideológica abrangem três estados possíveis do campo ideológico: hegemonia, pluralismo competitivo e polarização. Enquanto o grau de fragmentação do espaço narrativo permanecer baixo, o campo ideológico permanece em estado de hegemonia, com uma narrativa oficial dominante que não enfrenta concorrência significativa.

O grau de fragmentação do espaço narrativo — o mesmo número efetivo de narrativas concorrentes com audiência significativa que já mede a fragmentação do espaço narrativo — é a variável que desencadeia a transição de um regime de hegemonia ideológica para outro: quando esse grau de fragmentação do espaço narrativo começa a aumentar a partir de zero, o campo ideológico passa da hegemonia para o pluralismo competitivo, onde várias narrativas coexistem sem que nenhuma domine completamente.

Uma maior fragmentação do espaço narrativo impulsiona o regime de hegemonia ideológica para além do pluralismo competitivo, em direção à polarização: quando o número efetivo de narrativas concorrentes com audiência significativa se concentra em torno de dois polos opostos, em vez de permanecer disperso entre vários, o campo ideológico abandona o pluralismo competitivo e entra em polarização.

Trata-se da mesma fragmentação do espaço narrativo já observada como um indicador dentro do campo da Cultura, alimentada, por sua vez, pela lacuna de legitimidade: quanto maior a lacuna de legitimidade, maior a fragmentação do espaço narrativo e mais o regime de hegemonia ideológica se desloca da hegemonia, passando pelo pluralismo competitivo, até a polarização. Monitorar o grau de fragmentação do espaço narrativo é, portanto, a maneira de antecipar para qual dos três regimes de hegemonia ideológica o campo ideológico dentro da Cultura está se movendo — a questão diretamente influenciada pela trajetória da visão de mundo.

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