E2 Elementos de poder: capacidade estatal e elites
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Os elementos do poder, o substrato do Poder, um dos três temas que a trajetória da autoridade política carrega consigo quando muda de marcha, abrangem a capacidade do Estado e as elites de uma sociedade: capacidades ideológicas, econômicas, militares e políticas; o tamanho da elite; sua taxa de renovação; e a capacidade de suporte das posições de poder disponíveis. Esses elementos do poder não mudam por si só; mudam quando duas variáveis distintas os impulsionam em uma direção ou outra.
A primeira é a proporção entre as elites aspirantes e as posições de poder disponíveis, o mesmo mecanismo que já opera na Cliodinâmica, mas aplicado aqui no nível do Poder: quando essa proporção excede consistentemente um, a capacidade de suporte das posições de poder disponíveis é sobrecarregada e os elementos do poder se deslocam para a superprodução de elites.
A segunda é a capacidade fiscal e administrativa do Estado em relação às suas demandas: quando essa capacidade fiscal e administrativa declina constantemente diante das demandas que o Estado enfrenta, os elementos do poder se deslocam, em vez disso, para o colapso institucional, conforme já medido pelo índice de capacidade estatal. A relação entre as elites em ascensão e os cargos de poder disponíveis, bem como a capacidade fiscal e administrativa do Estado, constituem, portanto, dois eixos independentes da dinâmica de poder: um desencadeia a superprodução de elites, o outro desencadeia o colapso institucional, e ambos podem operar simultaneamente sem depender um do outro. Assim, a dinâmica de poder precisa ser monitorada em ambas as suas dimensões — a das elites e a do Estado — para antecipar para qual das duas anomalias de poder uma sociedade está caminhando.
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