D2 Concentração e Mobilidade Social
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A relação entre o retorno do capital e o crescimento econômico, a parcela da renda e da riqueza detida pelo percentil mais rico e a taxa de mobilidade social intergeracional descrevem o mesmo mecanismo de concentração ou abertura na distribuição de recursos, cada um sob uma perspectiva diferente. A relação entre o retorno do capital e o crescimento econômico é o motor estrutural desse mecanismo: se o capital rende mais do que a economia cresce, a riqueza se concentra automaticamente, sem que nenhuma outra causa seja necessária. A parcela da renda e da riqueza detida pelo percentil mais rico é o resultado observável desse motor, e a taxa de mobilidade social intergeracional é sua contraparte humana: o quanto dessa concentração se torna, ou não, permeável de uma geração para a seguinte.
A relação entre o retorno do capital e o crescimento econômico, o motor estrutural já descrito, mede se o capital se valoriza mais rapidamente do que a economia cresce. Quando o retorno do capital supera consistentemente o crescimento econômico, essa relação impulsiona o aumento da concentração, alimentando diretamente a parcela da renda e da riqueza detida pelo percentil mais rico.
A parcela da renda e da riqueza detida pelo percentil mais rico mede qual fração da renda ou da riqueza total está concentrada no segmento mais alto da distribuição. A sua ultrapassagem sustentada de um limiar histórico de polarização, impulsionada por retornos de capital que superam o crescimento econômico, desencadeia uma concentração extrema, a anomalia distributiva já descrita.
A taxa de mobilidade social intergeracional mede a frequência com que uma pessoa ascende a um estrato social diferente em relação aos seus pais. A sua queda abaixo do que seria esperado para o nível de desenvolvimento econômico, quando a parcela da renda e da riqueza detida pelo percentil mais alto já é elevada, sinaliza o fechamento do sistema de estratificação: trata-se da mesma mobilidade bloqueada já identificada como uma das anomalias distributivas que acompanham a concentração extrema.
Estes três indicadores, em conjunto, permitem-nos acompanhar o mesmo mecanismo de concentração ou abertura na distribuição de recursos a partir de três perspectivas: a relação entre os retornos de capital e o crescimento econômico como um fator estrutural, a parcela da renda e da riqueza detida pelo percentil mais alto como o resultado observável desse fator e a taxa de mobilidade social intergeracional como a sua contraparte humana. Monitorar os três em conjunto é a maneira de antecipar tanto a concentração extrema quanto a erosão da classe média e a mobilidade bloqueada que a acompanham — o caminho pelo qual a intensidade dos laços de parentesco arrasta a desigualdade a cada mudança de seção.
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