D2 Exposição, Alerta e Recuperação
Tópico
A periculosidade e a capacidade de absorção do sistema, mesmo par de variáveis já definidas nos Elementos Fundamentais deste grupo, são as duas grandezas em que se baseiam os três indicadores deste bloco — um mecanismo que independe de qual trecho vigora em qualquer via em particular, seja Regime de Recursos, Autoridade Política, Visão de Mundo ou Intensidade de Parentesco. Quanto mais rápido cresce o perigo, ou quanto mais rápido cresce a exposição a ele em relação à capacidade de absorção do sistema, mais se desgasta a margem que a sociedade exposta tem antes que um perigo termine numa catástrofe efectiva. Esse mesmo perigo, uma vez materializado num evento catastrófico, faz com que a capacidade de absorção do sistema seja temporariamente reduzida, e esta redução torna o evento seguinte mais caro: o perigo e a capacidade de absorção do sistema não se movem de forma independente, mas sim cada evento catastrófico deixa a capacidade de absorção do sistema com menos margem para o próximo.
O índice de exposição e vulnerabilidade combina a população e os bens expostos ao perigo com a capacidade de absorção do sistema já descrita: aumenta quando a população e os bens expostos crescem mais rapidamente do que a capacidade de absorção do sistema, e diminui quando a capacidade de absorção do sistema consegue expandir-se mais rapidamente do que essa exposição. O índice de exposição e vulnerabilidade é, ainda, a medida direta do índice de risco agregado: quando o índice de exposição e vulnerabilidade ultrapassa o limiar em que a capacidade de absorção do sistema já não é suficiente para cobrir a população e os ativos expostos, esse cruzamento desencadeia diretamente a Anomalia A2, o evento catastrófico.
O sistema de alerta precoce, ao contrário do índice de exposição e vulnerabilidade, não mede quanta população e bens estão expostos, mas sim o lead time disponível: a margem entre o momento em que se detecta que o perigo está a crescer e o momento em que esse perigo se materializa num evento catastrófico. O sistema de alerta precoce degrada-se quando a velocidade com que o perigo cresce excede a capacidade de monitorização com que a sociedade exposta acompanha a sua evolução; Quanto mais o perigo acelera acima dessa capacidade de monitorização, menos tempo está disponível antes que o índice de exposição e vulnerabilidade acabe por ultrapassar o seu limiar e desencadear a Anomalia A2.
O tempo de recuperação pós-choque mede quanto tempo leva para a capacidade de absorção do sistema retornar ao seu nível anterior após um evento catastrófico. O tempo de recuperação pós-choque aumenta quando a frequência com que ocorrem novos eventos catastróficos excede a velocidade com que a capacidade de absorção do sistema consegue se recuperar, e essa erosão cumulativa retroalimenta diretamente o índice de exposição e vulnerabilidade: cada evento catastrófico que chega antes que a capacidade de absorção do sistema termine de se recuperar deixa o índice de exposição e vulnerabilidade mais próximo de cruzar novamente seu limite, fechando o ciclo entre o tempo de recuperação pós-choque, a capacidade de absorção do sistema e o próprio índice de exposição e vulnerabilidade.
Os três indicadores servem, em conjunto, para monitorar a sociedade exposta sob três ângulos complementares do mesmo perigo e da mesma capacidade de absorção do sistema: o índice de exposição e vulnerabilidade diz o quão perto a Anomalia A2 está do desencadeamento, o sistema de alerta precoce diz quanta margem de reação resta antes que isso aconteça, e o tempo de recuperação pós-choque diz se a sociedade exposta está se tornando cada vez mais vulnerável aos eventos catastróficos seguintes em vez de se recuperar entre um e outro.
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