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A2 Excesso de confiança explorado

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A exploração da confiança excessiva é a segunda anomalia neste cenário e ocupa o polo oposto ao colapso da confiança generalizada: enquanto a primeira descreve uma espiral na qual a confiança cai abaixo do que a cooperação exige, a segunda descreve um esquema de confiança que cresce além do que o sistema consegue verificar, o tipo de esquema observado em golpes em massa ou esquemas Ponzi sociais.

A variável que desencadeia essa anomalia é a taxa de crescimento de um esquema de confiança que excede a capacidade de verificação do sistema: enquanto o esquema cresce a uma taxa que a verificação consegue acompanhar, a confiança nele depositada ainda tem, pelo menos em parte, respaldo verificável; quando a taxa de crescimento do esquema excede essa capacidade de verificação, a confiança continua a se expandir por meio de sua própria inércia social — cada participante confia porque os outros já confiaram — muito depois de não haver nada verificável por trás dela.

Esse mecanismo é semelhante ao já explorado por um manipulador que captura a narrativa coletiva, no âmbito da liderança e da influência assimétrica: um nó cuja influência cresce além de sua credibilidade verificável é precisamente o tipo de ator capaz de sustentar um esquema de confiança cujo crescimento supera a capacidade de verificação dos demais. E, da perspectiva da Econofísica, é também o mesmo tipo de dinâmica que subjaz a uma bolha e seu colapso, quando o desvio entre o preço de mercado e os fundamentos se mantém porque cada vez mais participantes acreditam que o esquema continuará a crescer, em vez de acreditarem que o ativo subjacente sustenta essa avaliação: o excesso de confiança explorado é, nesse sentido, o mecanismo de confiança coletiva que pode estar operando por trás de uma bolha e seu colapso cuja origem, vista exclusivamente da perspectiva de Imóveis e Investimentos, parecia puramente financeira.

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