A3 Explosões de raios gama
Tópico
O elemento central deste modelo é a explosão de raios gama: um clarão de radiação extraordinariamente energético e extraordinariamente breve, um dos eventos mais luminosos conhecidos em todo o universo.
Existem duas populações distintas dessas explosões de raios gama, classificadas por sua duração, e cada uma dessas duas populações tem uma origem física completamente diferente: as explosões de longa duração estão ligadas ao colapso do núcleo de uma estrela muito massiva e de rotação rápida, enquanto as explosões de curta duração estão ligadas à fusão de objetos compactos, o mesmo tipo de fusão que dá origem às ondas gravitacionais, descritas como um processo separado.
Em ambos os tipos de explosão, a energia liberada por essa origem física é canalizada para um jato relativístico muito estreito, e é precisamente essa estreiteza do jato que faz com que a explosão só possa ser observada da Terra quando o jato está apontado quase diretamente para o nosso planeta; se o jato estiver apontado para outro lugar, o mesmo evento simplesmente passa despercebido.
Após a explosão inicial de raios gama, a explosão deixa para trás um brilho residual que diminui gradualmente, observável em comprimentos de onda cada vez maiores com o passar do tempo. Isso ocorre porque é precisamente a passagem do tempo que faz com que a energia desse jato se dissipe ao colidir com o material circundante. Assim, desde a explosão extraordinariamente luminosa que inicia este documento até o brilho residual que o conclui, passando pelas duas populações de explosões e pelo jato relativístico que determina se o evento é observado, a explosão de raios gama faz com que um evento originado de duas origens físicas tão distintas — o colapso de uma estrela massiva ou a fusão de objetos compactos — se manifeste, para um observador na Terra, de maneira praticamente idêntica.
ID:3916
