A3 Erosão Extrema e Acelerada
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A erosão extrema ocorre quando a energia da água corrente ou do vento excede a resistência que o solo oferece a essa energia, removendo partículas de solo a taxas muito superiores às da pedogênese natural, o processo que forma novo solo a uma taxa de apenas entre um centésimo e um décimo de milímetro por ano. É precisamente essa diferença de taxas — entre o que o solo perde e quanto tempo leva para se regenerar — que torna a erosão extrema praticamente irreversível em qualquer escala de tempo humana.
A erosão hídrica, em particular, envolve três mecanismos que ocorrem à medida que a água se concentra: primeiro, o impacto direto das gotas de chuva no solo nu; em seguida, o fluxo laminar que transporta partículas em uma camada fina e uniforme; e, finalmente, o fluxo concentrado que esculpe sulcos e ravinas. É precisamente essa concentração progressiva de água que faz com que cada um desses três mecanismos remova mais solo do que o anterior.
Uma equação padrão de perda de solo quantifica a erosão hídrica anual como o produto de vários fatores independentes: intensidade da chuva, erodibilidade inerente do solo, topografia da encosta, cobertura vegetal que a protege e as práticas de manejo aplicadas. É precisamente essa estrutura do produto que significa que um aumento em apenas um desses fatores é suficiente para aumentar a perda total de solo.
Dentro das ravinas que esse fluxo concentrado eventualmente escava, o processo torna-se autossustentável e autoperpetuante: a incisão que a água faz no fundo da ravina diminui o nível de base local. Esse nível de base mais baixo aumenta tanto o gradiente quanto a capacidade do fluxo de transportar sedimentos, e essa maior capacidade de fluxo acelera a erosão regressiva que avança pela ravina, o que, por sua vez, cria uma nova incisão no fundo, fechando o ciclo na mesma incisão onde o mecanismo começou.
A erosão eólica, por outro lado, opera sob um princípio diferente: o transporte de partículas por saltação só começa quando a velocidade de fricção do vento excede uma velocidade de fricção limite e, uma vez ultrapassado esse limite, a quantidade de material transportado não cresce proporcionalmente, mas sim com o cubo do excesso de velocidade acima desse limite.
Assim, desde a distinção entre erosão e pedogênese com que este documento começa, até o crescimento cúbico do transporte eólico com que termina, passando pelos três mecanismos progressivos de erosão hídrica, a equação que quantifica essa perda de solo e o ciclo autoenergizante que aprofunda cada ravina, a erosão extrema significa que o solo que levou séculos para se formar pode ser perdido, sob as condições certas, em questão de horas.
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