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M6 Mesoescala e Circulações Locais

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As circulações de mesoescala são fenômenos atmosféricos de escala intermediária, entre dez e mil quilômetros, situando-se entre a escala sinótica dos sistemas meteorológicos e a microescala da menor turbulência. Essas circulações de mesoescala são impulsionadas por contrastes horizontais de temperatura entre superfícies vizinhas — brisas marítimas, que surgem do contraste entre terra e oceano; ventos de montanha e de vale, que surgem do contraste entre encostas e fundos de vale; e ilhas de calor urbanas, que surgem do contraste entre cidade e campo — e é precisamente esse contraste horizontal de temperatura que coloca cada uma dessas circulações de mesoescala em movimento. Essas circulações de mesoescala também são fundamentais para a distribuição regional da precipitação e da temperatura, especialmente durante o verão.

De todas elas, a brisa marítima é a circulação térmica mais clássica: durante o dia, a terra aquece mais rapidamente que o mar, o ar sobre a terra sobe e essa ascensão cria uma circulação superficial que traz ar do oceano em direção à terra, com uma frente de brisa que avança entre cinco e dez metros por segundo e pode penetrar no interior entre vinte e cinquenta quilômetros. À noite, porém, o contraste térmico entre a terra e o mar se inverte — a terra esfria mais rapidamente que o mar — e essa inversão do contraste é o que faz com que a circulação da brisa marítima também se inverta, soprando da terra em direção ao mar.

Em terrenos montanhosos, ocorre um padrão semelhante ao da brisa marítima, embora impulsionado pela própria topografia: durante o dia, sopram os ventos do vale, subindo as encostas à medida que se aquecem mais rapidamente que o solo do vale, e à noite, sopram os ventos da montanha, descendo essas mesmas encostas à medida que esfriam mais rapidamente que o ar do vale. Essa alternância diária entre ventos do vale e da montanha faz com que a temperatura no solo do vale flutue entre o dia e a noite, com uma variação de temperatura entre cinco e vinte graus Celsius.

A ilha de calor urbana é outro contraste térmico capaz de gerar sua própria circulação em mesoescala, embora, neste caso, o contraste não dependa da topografia ou da costa, mas da própria cidade: a cidade armazena e libera calor de forma diferente da zona rural circundante, e essa diferença leva a anomalias de temperatura entre um e oito graus Celsius entre a cidade e a zona rural circundante. Durante as tardes de verão, essa mesma ilha de calor urbana não só aquece o ar acima da cidade, como também intensifica a convecção que se forma acima dela, porque o ar mais quente da cidade sobe com mais força do que o ar mais frio da zona rural vizinha.

Finalmente, nas encostas a sotavento das montanhas, surgem as circulações de föhn: o mesmo ar que subiu no lado a barlavento e depositou sua umidade ali desce no lado a sotavento, e essa descida, ao comprimir o ar adiabaticamente, faz com que ele se aqueça entre dez e vinte graus acima da temperatura que tinha antes de cruzar a montanha.

Assim, todas essas circulações de mesoescala — brisas marítimas, ventos de montanha e de vale, a ilha de calor urbana e as circulações de föhn — têm origem no mesmo tipo de contraste horizontal de temperatura, embora cada uma o produza de uma maneira diferente. É precisamente na frente da brisa marítima, onde o ar vindo do oceano colide com o ar que já estava subindo sobre a terra, que a convecção ocorre com maior frequência, intensificando-se então sobre as cidades e distribuindo-se, dia após dia, entre o vento de vale e o vento de montanha; e é essa mesma alternância diária que faz da mesoescala, dentre todas as escalas da atmosfera, aquela que mais acompanha de perto o ritmo do dia e da noite.

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