D8 Dosimetria clínica
Tópico
A dosimetria clínica é o ramo da física médica que mede, calcula e verifica a dose de radiação efetivamente absorvida pelos tecidos de um paciente durante o tratamento de radioterapia. Ela serve de ponte entre a física da interação radiação-matéria e a prescrição clínica feita pelo radiooncologista.
O que a dosimetria clínica garante é que a dose prescrita pelo radiooncologista — medida em uma unidade chamada Gray e calculada para atingir uma probabilidade específica de controle do tumor — seja de fato a mesma dose que o tumor do paciente absorverá, nem mais nem menos.
Para garantir isso, a dosimetria clínica se baseia em uma série de etapas, cada uma calibrada em relação à anterior: tudo começa com um padrão primário nacional, mantido em um laboratório nacional de metrologia. Esse padrão primário nacional é usado para calibrar o detector do físico médico, uma câmara de ionização. Essa câmara de ionização calibrada, por sua vez, é usada para calibrar o acelerador linear que tratará o paciente. E esse acelerador linear, já calibrado, é o que, em última instância, administra a dose ao paciente, seguindo um plano de tratamento calculado usando o modelo dosimétrico.
Essa cadeia de calibrações, uma após a outra, desde o padrão nacional primário até o paciente, é o que se conhece como rastreabilidade metrológica, e é precisamente essa rastreabilidade que dá significado físico real a um número como sessenta Gray quando prescrito para um tumor: sem essa cadeia completa por trás dele, esse número seria apenas uma cifra arbitrária, e é a dosimetria clínica que garante que, em vez disso, seja uma medição física verificável do início ao fim.
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