D12 Avaliação neuropsicológica
Tópico
O desempenho cognitivo é quantificado na avaliação neuropsicológica usando uma bateria de testes padronizados. O resultado para cada domínio cognitivo avaliado é expresso como uma pontuação normalizada em relação a uma amostra de referência ajustada por idade e nível educacional. Quanto mais o desempenho cognitivo de uma pessoa se desvia dessa amostra de referência, mais extrema é a pontuação normalizada que ela recebe nesse domínio cognitivo.
A partir das pontuações normalizadas dos vários domínios cognitivos avaliados, um índice cognitivo composto pode ser construído como uma média ponderada desses domínios, estendendo o mesmo formalismo geral de pontuação composta já usado em escalas clínicas.
Duas medidas adicionais, sensíveis a diferentes aspectos do desempenho cognitivo, são o tempo de reação, que reflete a velocidade de processamento da pessoa, e a variabilidade intraindividual no tempo de reação, que reflete a integridade da atenção sustentada da pessoa: quanto maior essa variabilidade intraindividual, menos intacta a atenção sustentada. Essa variabilidade intraindividual estende diretamente o mesmo índice de variabilidade na resposta neural já usado para descrever o transtorno do espectro autista. Nos testes de memória episódica, o desempenho cognitivo de uma pessoa ao longo de tentativas repetidas segue uma curva de aprendizado com formato de saturação exponencial: o desempenho cognitivo melhora rapidamente nas primeiras tentativas repetidas, mas essa melhora diminui à medida que mais tentativas repetidas se acumulam, até se aproximar de um nível máximo de desempenho para aquele indivíduo.
Ao comparar o desempenho cognitivo atual de uma pessoa com seu nível pré-mórbido estimado — isto é, o nível de desempenho cognitivo que se esperaria que essa pessoa tivesse antes de qualquer doença, com base em variáveis demográficas e educacionais — é possível quantificar o grau de comprometimento cognitivo adquirido: quanto maior a diferença entre o nível pré-mórbido estimado e o desempenho cognitivo atual, maior o comprometimento cognitivo adquirido atribuído à pessoa.
Finalmente, a validade ecológica de toda essa avaliação do desempenho cognitivo é estabelecida correlacionando o desempenho cognitivo obtido nos testes com o funcionamento real da pessoa em suas atividades diárias: quanto mais o desempenho cognitivo medido nos testes se correlaciona com o funcionamento na vida diária, maior a validade ecológica da avaliação neuropsicológica. Em suma, é esse mesmo desempenho cognitivo, quantificado por meio de pontuações padronizadas, um índice composto, medidas de velocidade e variabilidade, curvas de aprendizado e comparação com o nível pré-mórbido, que deve, em última análise, demonstrar sua validade ecológica em relação ao funcionamento real da pessoa em sua vida diária.
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