D7 Tumores e marcadores oncológicos
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Os marcadores tumorais são moléculas produzidas pelas células tumorais ou pelo organismo em resposta ao tumor, e podem ser medidos no sangue. Em geral, não possuem sensibilidade e especificidade suficientes para serem usados isoladamente como método de detecção de câncer na população assintomática, embora alguns tenham aplicações específicas. Sua maior utilidade reside no monitoramento de tumores já diagnosticados, na avaliação da resposta ao tratamento, na detecção de recidivas precoces e na estimativa do prognóstico.
O marcador específico da próstata (PSL) pode aumentar devido ao câncer, mas também devido ao volume da próstata, inflamação e outras condições benignas; portanto, uma concentração elevada por si só não demonstra a presença de um tumor. Na faixa de aproximadamente 4 a 10 ng/mL, são utilizados refinamentos como a proporção que circula livremente e a taxa na qual ela aumenta. De acordo com o texto, uma fração livre inferior a 15% ou um aumento superior a 0,75 ng/mL por ano estão associados a um risco maior de câncer. Após a remoção completa da próstata, o marcador deve se tornar praticamente indetectável. Seu reaparecimento indica a persistência ou recorrência do tecido tumoral e permite o reconhecimento de uma recorrência bioquímica antes que ela seja necessariamente visível por meio de exames de imagem.
O antígeno carcinoembrionário (CEA) é usado principalmente para monitorar o câncer colorretal ou de pulmão. Após a remoção do tumor, sua diminuição para níveis normais nas semanas seguintes confirma que a ressecção foi completa. Se, posteriormente, ele aumentar novamente, pode antecipar o aparecimento clínico ou radiológico de uma recorrência em vários meses.
O marcador ovariano desempenha uma função semelhante durante o monitoramento do câncer de ovário. Sua diminuição durante a quimioterapia permite a avaliação da resposta: o texto considera favorável uma redução de pelo menos metade do valor inicial até o terceiro mês. A taxa de diminuição também tem valor prognóstico, de modo que uma queda mais rápida está associada a um resultado mais favorável.
A alfa-fetoproteína (AFP) tem uma aplicação diferente. De acordo com o texto, em um paciente com cirrose, uma concentração superior a 400 ng/mL, acompanhada de exames de imagem do fígado compatíveis, pode permitir o diagnóstico de câncer primário de fígado sem a necessidade de confirmação por biópsia.
A lactato desidrogenase (LDH) também não funciona como um marcador específico para um tumor em particular. Ela reflete aspectos relacionados à atividade metabólica e à necrose celular e, portanto, pode estar elevada em diferentes neoplasias. Precisamente por essa falta de especificidade, ela pode fornecer informações prognósticas em doenças como linfomas, leucemias, mieloma e melanoma avançado. Neste último, uma elevação significativa está associada a um pior prognóstico. A LDH também pode estar elevada na síndrome de lise tumoral, onde a destruição rápida de numerosas células libera seu conteúdo na corrente sanguínea.
A utilidade real de qualquer marcador também depende da probabilidade de o paciente ter a doença antes da realização do teste. De acordo com o raciocínio bayesiano, mesmo um marcador com boa sensibilidade e especificidade terá muitos falsos positivos quando usado em uma população onde o câncer testado é muito raro. O texto ilustra que um teste com 80% de sensibilidade e 95% de especificidade teria um valor preditivo positivo de apenas cerca de 14% se a doença estiver presente em 1% da população, mas aumentaria para aproximadamente 76% se a prevalência fosse de 20%.
Essa dependência da probabilidade prévia explica por que os marcadores tumorais são geralmente muito mais úteis em pacientes que já têm um diagnóstico de câncer do que como ferramentas de rastreamento geral. No acompanhamento, uma alteração no marcador ocorre em um contexto em que a probabilidade de persistência ou recorrência do tumor já é consideravelmente maior.
Em conjunto, o antígeno prostático específico (PSA) e seus refinamentos ajudam a avaliar e monitorar doenças da próstata; o antígeno carcinoembrionário (CEA) e o marcador ovariano permitem monitorar a resposta terapêutica e antecipar a recorrência; a alfa-fetoproteína (AFP) pode contribuir para o diagnóstico de câncer de fígado em certos contextos; e a lactato desidrogenase (LDH) fornece informações metabólicas e prognósticas em várias neoplasias. Interpretados de acordo com sua evolução temporal e a probabilidade prévia da doença, esses marcadores constituem ferramentas principalmente para monitorar um câncer conhecido, avaliar sua resposta ao tratamento, detectar precocemente sua recorrência e estimar sua evolução.
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