D7 Radar Ornitológico
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O radar é um instrumento de observação remota que permite o estudo de aves em voo sem a necessidade de capturá-las ou equipá-las com qualquer dispositivo. Ele pode operar à noite, em nevoeiro e a distâncias de até duzentos quilômetros — condições em que nenhum outro método de observação funciona. Além disso, é o único método capaz de fornecer simultaneamente a posição, a velocidade e a densidade de bandos inteiros de aves, em vez de se limitar a descrever um único indivíduo.
Para este simulador, o radar opera em dois modos distintos. O primeiro é o radar de vigilância, que mede a posição e a velocidade Doppler dos ecos refletidos tanto por aves individuais quanto por grupos de aves voando juntas. A partir dessa posição e velocidade Doppler, o radar de vigilância calcula o fluxo migratório na área observada e a altitude em que as aves detectadas estão voando.
O segundo modo é a análise micro-Doppler das batidas de asa: a assinatura temporal do sinal recebido de volta pelo radar varia com a frequência da batida e a velocidade da ponta da asa da ave que reflete esse sinal, porque cada batida de asa modula o sinal refletido de uma maneira característica. Ao analisar essa assinatura temporal micro-Doppler, o radar consegue identificar a espécie da ave e o modo de voo que ela está executando, mesmo a distâncias em que não é mais possível vê-la diretamente.
Esses dois modos de operação fazem do radar o principal método de diagnóstico para duas questões que nenhum outro instrumento consegue responder na mesma escala. A primeira é a distribuição altitudinal de um bando em condições extremas: ao medir simultaneamente a altitude e a velocidade Doppler de todas as aves de um bando que atravessa uma região de baixa densidade do ar ou turbulência intensa, o radar de vigilância permite que os pesquisadores reconstruam como esse bando se redistribui em altitude à medida que as condições atmosféricas se tornam mais severas.
A segunda questão diz respeito à detecção de grandes desestruturações de formação: como o radar mede simultaneamente a posição, a velocidade e a densidade de todo o bando, ele consegue detectar e quantificar o momento em que uma formação de voo coletiva se desfaz em resposta a uma perturbação externa. Por meio de observações sucessivas, ele pode então rastrear como essa desestruturação se propaga pelo bando e quanto tempo leva para que ele recupere sua ordem anterior. A capacidade do radar de detectar uma determinada espécie, e a que distância, depende da equação de alcance do radar. Essa equação relaciona os parâmetros do instrumento — sua potência emitida, sensibilidade do receptor e frequência de operação — com o tamanho e a refletividade da ave a ser detectada. Essa equação de alcance do radar permite o projeto, para cada espécie e cada questão — seja a distribuição altitudinal em condições extremas ou a perturbação de uma formação de voo coletiva —, da configuração do radar de vigilância ou da análise micro-Doppler que detectará efetivamente essas aves à distância necessária.
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