A1 Carregamento Alar Patológico
Tópico
Uma ave pode acumular um aumento anormal na massa corporal por diversos meios: obesidade, tumores sólidos, edema tecidual ou uma carga externa artificial, como anilhas de perna superdimensionadas ou transmissores de telemetria. Seja qual for a sua origem, esse aumento na massa corporal eleva diretamente o peso corporal, a magnitude que a ave deve sustentar no ar enquanto voa horizontalmente.
No voo horizontal, a sustentação gerada pelas asas deve ser exatamente igual ao peso corporal para que a ave mantenha uma altitude constante. Como a área da asa é fixa pela anatomia do animal e não pode ser ajustada durante o voo, um peso corporal maior força a carga alar — o peso corporal distribuído sobre essa mesma área fixa da asa — a aumentar na mesma proporção que o peso corporal. Essa maior carga alar é, em última análise, a magnitude que força todos os ajustes aerodinâmicos subsequentes.
Para manter a sustentação igual ao aumento do peso corporal, apesar de uma área da asa inalterada, a ave tem apenas duas opções: aumentar o coeficiente de sustentação de suas asas — voando em um ângulo de ataque maior — ou aumentar sua velocidade de voo, já que a sustentação aumenta com o quadrado da velocidade. No entanto, o coeficiente de sustentação não pode aumentar indefinidamente: existe um valor máximo acima do qual o fluxo de ar se separa da superfície da asa e a sustentação cai drasticamente em vez de continuar a aumentar. Portanto, à medida que a carga alar aumenta, a ave depende cada vez mais do aumento da velocidade de voo para compensar e cada vez menos do coeficiente de sustentação, que já está operando próximo do seu limite.
Este limite superior do coeficiente de sustentação, por sua vez, estabelece uma velocidade mínima abaixo da qual as asas não conseguem mais gerar, mesmo com o coeficiente de sustentação no seu máximo, a sustentação necessária para igualar o peso corporal: a velocidade de estol. Quanto maior a carga alar, maior a velocidade de estol, porque é necessária mais velocidade para atingir a sustentação exigida por um peso corporal maior. Em uma ave com carga alar patológica, a velocidade de estol desloca-se para cima, estreitando a gama de velocidades em que o voo é possível.
Cada velocidade de voo, por sua vez, exige uma certa quantidade de potência muscular para sustentar o voo; a soma dessas relações, para todas as velocidades possíveis, forma a curva de potência da ave. Um maior peso corporal desloca completamente essa curva de potência para cima e para a direita: a qualquer velocidade dada, a potência muscular necessária é maior do que antes, e a velocidade na qual essa potência muscular necessária é mínima também se desloca para velocidades mais altas. Essa potência muscular necessária, no entanto, atinge um limite: a potência disponível que os sistemas respiratório e muscular da ave podem sustentar continuamente não aumenta com o peso corporal, mas permanece fixa pela capacidade fisiológica do animal. Enquanto a potência disponível exceder a potência muscular necessária dentro de uma certa faixa de velocidade entre a velocidade de estol e a velocidade máxima atingível, o voo sustentado permanece possível. No ponto em que a carga alar aumenta o suficiente para que a potência muscular necessária exceda a potência disponível na velocidade máxima, essa margem desaparece e o voo sustentado deixa de ser possível.
Esse deslocamento combinado da velocidade de estol e da curva de potência em direção ao limite fisiológico da ave é o que torna o aumento da massa corporal uma ameaça direta à capacidade de voo. O mesmo mecanismo permite duas aplicações práticas: em estudos de campo, calcular o peso de um transmissor de telemetria antes que a carga alar adicional empurre a ave em direção a esse limite de voo impossível; e, em aves em cativeiro, diagnosticar a obesidade clínica comparando a carga alar real do animal com a carga alar máxima que sua potência disponível ainda lhe permite sustentar em voo.
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