A6 Barotrauma por descompressão rápida
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O barotrauma por descompressão ocorre quando um peixe sobe muito rapidamente de grandes profundidades e a bexiga natatória, elemento central deste modelo, expande-se mais rapidamente do que o peixe consegue absorver o excesso de gás através de um órgão especializado chamado rete mirabile. Essa expansão segue o mesmo princípio físico que rege qualquer gás comprimido: o volume ocupado por um gás é inversamente proporcional à pressão absoluta ao seu redor. Portanto, à medida que o peixe sobe e a pressão ambiente diminui, o gás dentro da bexiga natatória expande-se. Uma subida de 30 metros de profundidade, onde a pressão é de aproximadamente quatro atmosferas, até a superfície, onde a pressão cai para uma atmosfera, quadruplica o volume da bexiga natatória.
Quando a velocidade de subida do peixe excede a capacidade de reabsorção da rete mirabile, a bexiga natatória fica hiperdistendida porque o gás expande-se mais rapidamente do que o órgão consegue removê-lo. Se essa hiperdistensão continuar, a tensão na parede da bexiga eventualmente excede sua resistência à tração, resultando em uma hérnia, ruptura ou mesmo eversão da bexiga para dentro da boca do peixe, conhecida como prolapso da bexiga. A tensão que a parede da bexiga natatória deve suportar aumenta com a pressão do gás em seu interior e com o raio da bexiga, enquanto diminui com a espessura da parede. A ruptura ocorre precisamente no ponto em que essa tensão ultrapassa a resistência do tecido. Consequentemente, existe uma taxa crítica de ascensão segura: a taxa na qual o gás se expande devido à queda de pressão é igual à taxa na qual a rete mirabile consegue reabsorvê-lo. Abaixo dessa taxa crítica, a rete mirabile consegue lidar com o volume e, acima dela, a bexiga fica vulnerável à sobredistensão.
Os danos causados pelo barotrauma não se limitam à bexiga natatória: a mesma queda de pressão que a expande também satura o sangue do peixe com gás, e esse gás supersaturado no sangue pode nucleiar, formando bolhas dentro dos vasos sanguíneos — um fenômeno de embolia gasosa análogo à doença da descompressão sofrida por mergulhadores — o que acaba obstruindo a circulação sanguínea do peixe. A quantidade de gás que o sangue satura a uma determinada pressão segue o mesmo tipo de relação com a pressão ambiente que descreve a dissolução de qualquer gás em um líquido. A nucleação dessas bolhas no sangue ocorre quando a pressão total do gás dissolvido excede, acima de um limiar crítico, a pressão local do tecido que circunda o sangue; enquanto a pressão do gás dissolvido permanecer abaixo desse limiar, o gás permanece dissolvido sem formar bolhas.
O barotrauma, que danifica tanto a bexiga natatória quanto o sistema circulatório do peixe, tem um efeito particularmente enganoso na pesca esportiva com devolução: a mortalidade real que causa é muito maior do que a aparência do peixe sugere quando solto na superfície. Um peixe que parece se recuperar e nadar normalmente pode morrer horas depois, seja pela ruptura ou prolapso da bexiga natatória descrito anteriormente, seja pela embolia gasosa que obstruiu sua circulação desde o momento da subida.
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