A33 Falhas por fadiga cíclica
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A asa do inseto é talvez a estrutura mais suscetível à fadiga cíclica: a fadiga cíclica é o acúmulo de danos em um material que ocorre sob cargas repetidas, mesmo que cada carga individual esteja bem abaixo da resistência à tração do material. A asa do inseto experimenta milhões desses ciclos de flexão ao longo de sua vida — uma mosca que vive apenas trinta dias, batendo as asas a duzentos ciclos por segundo, acumula cerca de quinhentos milhões de ciclos de flexão antes de morrer.
A relação entre a quantidade de tensão que o material suporta em cada ciclo e quantos ciclos de fadiga ele pode tolerar antes de falhar é descrita pela curva de Wöhler: quanto maior a amplitude da tensão aplicada em cada ciclo de flexão da asa, menos ciclos o material pode tolerar antes de falhar devido à fadiga.
No entanto, a asa de um inseto quase nunca bate com uma amplitude de tensão constante ciclo após ciclo. Em vez disso, a carga de voo real varia constantemente dependendo da velocidade e das manobras do inseto. A regra de Miner permite estimar com precisão o dano acumulado na asa neste caso, somando a contribuição do dano de cada ciclo separadamente, mesmo que cada ciclo tenha uma amplitude de tensão diferente do anterior.
Além da amplitude de cada ciclo, outro fator afeta o dano acumulado na asa: a tensão média em torno da qual cada ciclo de carga oscila. O diagrama de Goodman corrige o efeito dessa tensão média na vida útil da asa à fadiga: quanto mais trativa for a tensão média à qual a asa é submetida, menor será sua vida útil à fadiga.
Dentro da asa, as juntas são onde esse dano é mais concentrado: qualquer entalhe agudo em uma junta concentra a tensão tão intensamente que a tensão real que o material suporta naquele ponto pode ser de três a cinco vezes maior do que a tensão nominal que seria calculada sem considerar essa concentração. Essa tensão amplificada reduz drasticamente a vida útil da junta à fadiga porque — de acordo com a mesma curva de Wöhler — uma tensão mais alta sempre implica em menos ciclos toleráveis antes da falha.
Diante desse risco concentrado nas articulações das asas, as asas dos insetos desenvolveram microestruturas únicas nessas articulações que distribuem o dano em vez de concentrá-lo em um único ponto, e que também impedem a propagação de qualquer fissura que comece a se formar ali. Graças a essas microestruturas, a asa do inseto consegue suportar as centenas de milhões de ciclos de flexão exigidos por sua vida útil, embora cada articulação individual, sem essa defesa, fosse o ponto mais frágil de toda a asa.
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