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E32 Angiogênese tumoral

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A angiogênese é a formação de novos vasos sanguíneos em resposta a sinais emitidos pelo próprio tumor. Sem a angiogênese, o tumor não pode crescer além de um limite de aproximadamente um a dois milímetros, o mesmo limite imposto pelo raio de difusão do oxigênio dos vasos sanguíneos do tecido hospedeiro.

A angiogênese atua como um interruptor contra esse limite: assim que é ativada, ela desbloqueia o crescimento do tumor muito além desse limite de um a dois milímetros, permitindo que ele atinja um tamanho macroscópico.

Mas essa mesma angiogênese que desbloqueia o crescimento macroscópico do tumor cria simultaneamente uma vasculatura anormal, e essa vasculatura anormal paradoxalmente gera três novos problemas: hipóxia dentro do próprio tumor, pressão elevada dentro do tecido tumoral e resistência a medicamentos.

A física por trás dessa angiogênese é a dos gradientes químicos e da quimiotaxia vascular: quando o tumor está hipóxico, ele secreta uma proteína sinalizadora que estimula a formação de vasos sanguíneos, e essa proteína cria um gradiente de concentração — mais alto perto do tumor, mais baixo longe dele — em direção ao qual os novos vasos sanguíneos crescem.

A vascularização tumoral resultante desse gradiente é funcionalmente deficiente: é dilatada, permeável, carece das células que normalmente circundam e estabilizam os vasos sanguíneos, e seu fluxo sanguíneo é irregular e pode até mesmo se inverter. Assim, a mesma angiogênese que permite ao tumor ultrapassar o limite de difusão e crescer até atingir um tamanho macroscópico é também o que lhe confere uma vascularização muito inferior à do tecido saudável circundante.

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