E22 Tecido hospedeiro e matriz extracelular
Tópico
O tumor não cresce no vácuo: ele cresce dentro de um tecido hospedeiro que possui suas próprias propriedades mecânicas e bioquímicas, centradas principalmente na matriz extracelular que envolve as células, com rigidez e composição específicas.
O tumor não cresce simplesmente dentro dessa matriz extracelular: ele a remodela ativamente, alterando sua rigidez e composição, para facilitar sua própria invasão do tecido hospedeiro e seu próprio crescimento.
Essa matriz extracelular não é meramente um arcabouço passivo que o tumor atravessa: ela é um regulador ativo da biologia tumoral. Sua rigidez modula a sinalização mecânica que chega às células tumorais, e essa sinalização mecânica, por sua vez, promove a proliferação dessas células; e quando o tumor degrada essa mesma matriz extracelular, essa degradação é o que permite que o tumor invada o tecido circundante.
Ao redor e dentro do próprio tumor, forma-se também o estroma tumoral, composto por fibroblastos associados ao câncer, macrófagos associados ao tumor e vasos sanguíneos. Em muitos tumores, esse estroma tumoral constitui a maior parte do volume total do tumor, até mesmo mais do que as próprias células tumorais. Quando o estroma tumoral se torna muito denso, como é típico no câncer de pâncreas, ele pode impedir a penetração de medicamentos no tumor. Esse problema não está relacionado à biologia das próprias células tumorais, mas sim às propriedades mecânicas do tecido hospedeiro e à matriz extracelular que o próprio tumor ajudou a construir ao seu redor.
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