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M3 Anestesia geral (mecanismos multialvo)

Tópico

O nível de consciência, já definido em outro modelo, é reduzido pela anestesia geral, que induz a perda de consciência e a perda de resposta a estímulos nociceptivos por meio de múltiplos mecanismos moleculares que atuam simultaneamente na rede cortical.

O primeiro desses mecanismos moleculares é a potenciação da condutância inibitória da rede cortical, mediada por um tipo específico de receptor, uma extensão direta da mesma condutância sináptica já descrita para sinapses químicas em outro modelo.

O segundo mecanismo molecular, presente em agentes dissociativos como a cetamina, é o bloqueio de um tipo específico de receptor de glutamato na rede cortical, uma extensão da mesma cinética receptor-ligante já descrita em outro modelo, seguindo a mesma linha da hipofunção desse receptor de glutamato já descrita para a esquizofrenia. Ambos os mecanismos moleculares reduzem a conectividade efetiva da rede cortical até que o nível de consciência caia abaixo de um limiar operacional. Enquanto o nível de consciência permanecer acima desse limiar, a pessoa permanece consciente. No entanto, assim que a conectividade efetiva da rede cortical é reduzida o suficiente para que o nível de consciência caia abaixo desse limiar, ocorre a perda de consciência característica da anestesia geral.

A relação entre a concentração do anestésico e a probabilidade dessa perda de consciência segue uma curva dose-resposta do mesmo tipo sigmoidal de Hill já descrita para a cinética receptor-ligante em outro modelo: em baixas concentrações do fármaco, a probabilidade de perda de consciência é baixa, depois aumenta rapidamente em uma faixa de concentração intermediária e, finalmente, se estabiliza perto de uma probabilidade máxima em altas concentrações do fármaco.

A farmacocinética do anestésico, por sua vez, é modelada com um esquema compartimental simples, do mesmo tipo já usado para descrever a cinética de outras substâncias no corpo. Dentro dessa estrutura farmacocinética, a meia-vida sensível ao contexto do anestésico reflete como a duração da infusão prolonga o tempo de recuperação da consciência após a interrupção do fármaco: quanto mais longa a infusão, maior o tempo de recuperação da consciência após a interrupção do anestésico. Em geral, é esse mesmo nível de consciência, reduzido pela potencialização da condutância inibitória e pelo bloqueio dos receptores de glutamato na rede cortical, que determina tanto a perda de consciência durante a anestesia geral quanto o tempo de recuperação dessa consciência após a interrupção do medicamento.

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