D1 Eletroencefalografia (EEG)
Tópico
O sinal de eletroencefalograma (EEG) registrado no couro cabeludo origina-se do campo elétrico gerado pela atividade síncrona de grandes populações de neurônios corticais. Dentro dessas populações de neurônios corticais, são principalmente os potenciais pós-sinápticos somados nas colunas corticais que geram esse campo elétrico, e esse campo se propaga das colunas corticais até o eletrodo colocado no couro cabeludo, seguindo um modelo de condução volumétrica. Quanto mais síncrona for a atividade dos neurônios corticais, mais intenso será o sinal de EEG registrado pelo eletrodo.
Uma vez registrado, o sinal de EEG pode ser decomposto no domínio da frequência usando sua densidade espectral de potência, que quantifica a quantidade de atividade do sinal de EEG que corresponde a cada banda de frequência clássica: delta, teta, alfa, beta e gama. Quanto mais potência o sinal de EEG concentrar em uma determinada banda de frequência, maior será a contribuição dessa banda para a atividade total registrada.
Utilizando o mesmo sinal de eletroencefalograma (EEG) registrado no couro cabeludo, o problema inverso de localização da fonte tenta reconstruir a distribuição da atividade cortical que melhor explica o padrão de voltagem do sinal de EEG. Isso é tipicamente feito por meio de métodos de minimização regularizados que buscam, entre todas as distribuições de atividade cortical possíveis, aquela que melhor se ajusta ao sinal de EEG observado.
Quando o sinal de EEG é registrado simultaneamente em múltiplos eletrodos, ele também permite o cálculo da coerência intercanal, uma medida que quantifica o acoplamento funcional entre as diferentes regiões corticais que geram o sinal de EEG em cada canal. Quanto maior a coerência intercanal do sinal de EEG, mais forte o acoplamento funcional entre as regiões corticais correspondentes.
Finalmente, o sinal de EEG permite a detecção automática de descargas epileptiformes, utilizando os mesmos critérios de amplitude e duração já introduzidos para caracterizar descargas sincronizadas no modelo de epilepsia. Em suma, é o sinal do eletroencefalograma, desde o campo elétrico gerado pelos neurônios corticais até sua análise de frequência, localização da fonte e coerência entre os canais, que permite tanto a caracterização da atividade cerebral normal quanto a detecção de padrões patológicos, como descargas epileptiformes.
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