A12 Vício (sensibilização do circuito de recompensa)
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O circuito de recompensa normalmente responde a estímulos prazerosos por meio de sinalização dopaminérgica fásica, um padrão de liberação breve e intensa de dopamina. Uma substância ou estímulo viciante pode induzir essa mesma sinalização dopaminérgica fásica no circuito de recompensa e, quando a exposição a essa substância ou estímulo viciante é repetida ao longo do tempo, o circuito de recompensa sofre duas alterações paralelas que, juntas, determinam a resposta hedônica líquida do circuito de recompensa — ou seja, quanto prazer cada exposição produz.
A primeira dessas duas alterações paralelas é a sensibilização progressiva do sistema dopaminérgico do circuito de recompensa: quanto mais frequente a exposição à substância ou estímulo viciante, mais intensa se torna a resposta dopaminérgica do circuito de recompensa a cada nova exposição, seguindo o mesmo padrão de sensibilização progressiva já descrito para o sistema dopaminérgico em outro modelo psiquiátrico.
A segunda alteração, que se desenvolve em paralelo com a primeira dentro do mesmo circuito de recompensa, é a tolerância farmacológica: os receptores dopaminérgicos do circuito de recompensa adaptam-se homeostaticamente à exposição repetida e tornam-se progressivamente menos sensíveis à dopamina. Quanto mais frequente for a exposição à substância ou estímulo viciante, maior se torna essa tolerância farmacológica do circuito de recompensa, e essa tolerância reduz a resposta hedônica líquida do circuito de recompensa, mesmo quando a dose da substância permanece a mesma ou aumenta.
A redução na resposta hedônica líquida do circuito de recompensa, resultante desse equilíbrio entre sensibilização e tolerância, também tem uma consequência mais lenta, de acordo com a teoria alostática da dependência: o ponto de ajuste hedônico basal do circuito de recompensa — isto é, o nível de prazer que o circuito de recompensa considera normal na ausência da substância — desloca-se progressivamente para baixo a cada episódio de exposição. Quanto maior a diferença entre esse ponto de ajuste hedônico basal alterado e seu valor original, mais intenso será o desejo que a pessoa experimenta — aquele desejo intenso e difícil de controlar de usar a substância ou buscar o estímulo viciante.
Todas essas mudanças, da sensibilização dopaminérgica à alteração no ponto de ajuste hedônico basal, são consolidadas por meio do aumento da plasticidade sináptica no circuito de recompensa, especificamente no circuito que conecta a área tegmental ventral ao núcleo accumbens, seguindo a mesma regra de aprendizagem associativa, conhecida como regra de Hebb, já utilizada para descrever o fortalecimento das conexões sinápticas em outro modelo. Esse aumento da plasticidade sináptica é, em última análise, o que fixa permanentemente, no circuito de recompensa, tanto a sensibilização dopaminérgica quanto a tolerância farmacológica e a alteração no ponto de ajuste hedônico basal que caracterizam o vício.
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