A5 Falha do tendão
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Nas aves, o sistema de tendões da asa e dos dedos desempenha duas funções físicas distintas, dependendo da área do corpo em que atua. Na asa, o tendão funciona como uma mola elástica envolvida em cada ciclo de batimento; na perna, o tendão flexor digital atua como o elemento que transmite e suporta a força de impacto de cada pouso. A falha do sistema de tendões — seja por tendinite, ruptura parcial ou ruptura completa — afeta cada uma dessas duas funções de maneira diferente, portanto, é aconselhável examiná-las separadamente antes de considerá-las em conjunto.
Na asa, o tendão atua como uma mola elástica que armazena energia potencial elástica durante uma fase do ciclo de batimento e a libera na fase seguinte, reduzindo a demanda líquida de energia que esse ciclo impõe ao músculo peitoral. Em beija-flores e andorinhões, essa mola elástica pode contribuir com até 40% da energia de cada ciclo de batimento, uma fração que, em condições saudáveis, o músculo peitoral não precisa gerar por si só.
A tendinite ou uma ruptura parcial do tendão da asa reduz a rigidez dessa mola elástica e, consequentemente, a eficiência com que ela devolve a energia armazenada em cada ciclo. Quanto mais a rigidez do tendão e a eficiência de retorno diminuem, menor a fração de energia do ciclo de batimento que a mola elástica consegue contribuir e maior a carga transferida de volta para o músculo peitoral em cada ciclo. Essa carga transferida acelera a fadiga do músculo peitoral, o mesmo músculo cuja capacidade de geração de energia se esgota mais rapidamente quanto maior a fração de energia que ele deixa de receber de um tendão saudável.
Na perna, no entanto, o tendão flexor digital desempenha uma função diferente: é o elemento crítico para a preensão e o pouso, pois transmite as forças de impacto geradas cada vez que a ave coloca seu peso na perna ao pousar — forças que podem exceder várias vezes o peso corporal da ave. Ao contrário do tendão da asa, que devolve energia a cada ciclo de batimento, o tendão flexor digital não armazena nem devolve energia: sua função é puramente estrutural, suportar a força de impacto sem se romper.
Se a secção transversal do tendão flexor digital estiver comprometida — por exemplo, por uma tendinite anterior ou uma rotura parcial não cicatrizada — o tendão suporta a mesma força de impacto com um material menos resistente, e o risco de uma ruptura completa durante a aterragem deixa de ser remoto. Para cada condição do tendão flexor digital, existe um limiar de força de impacto acima do qual uma ruptura completa se torna provável: quanto mais comprometida a secção transversal, menor esse limiar, e as aterragens que um tendão saudável suportaria sem problemas tornam-se suficientes para causar a sua ruptura.
A falha do sistema tendinoso, portanto, acaba por ocorrer de duas maneiras completamente diferentes: na asa, uma degradação progressiva que transfere a carga elástica para o músculo peitoral e acelera a sua fadiga; na perna, ocorre uma ruptura súbita e completa quando a força de impacto de uma aterragem excede o limiar que a secção transversal comprometida do tendão flexor digital ainda consegue suportar. A avaliação de ambas as vias separadamente permite-nos distinguir, quando confrontados com uma ave que apresenta sinais de falha do tendão, se o problema é uma perda gradual de eficiência energética em voo que deve ser monitorizada, ou um risco iminente de ruptura completa da perna que poderia incapacitar a ave na próxima aterragem.
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